7 de abril de 2010

A arte da crônica 2

Bia Albernaz
Quer saber se o seu texto é bom? Experimente-o em um leitor-cobaia. Se ele sorrir, mesmo que levemente, se franzir rápido as sobrancelhas, alegre-se: você encontrou um caminho, e já conseguiu alguém que o acompanhasse, mesmo que só um pouquinho. Acompanhar ou ser acompanhado? Cronista que é cronista não vai na frente da multidão. Mistura-se a ela e ajusta suas antenas para entrar em sincronia com os acontecimentos, ou melhor, com o acontecimento. Hoje, há tanto para acompanhar que é preciso focar no detalhe, no que parece óbvio, no que só você vê, a partir do seu ângulo particular. Porque, acredite, a crônica, sendo uma arte, não explica, discursa ou generaliza; mas sim mostra, aponta ou expõe, não um ponto de vista, mas a vista, a partir de um determinado ponto.

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