8 de abril de 2011

O agregado José Dias - personagem tipicamente brasileiro

Patrícia Fucci
          Apresento a vocês José Dias, personagem criado pelo gênio de Machado de Assis no inesquecível romance Dom Casmurro.
          Nesse caso, acho indispensável a apresentação, pois quando se pensa em Machado, em Dom Casmurro, de imediato pensa-se em Capitu, “cigana oblíqua e dissimulada”, e, no máximo, pode-se pensar em Bentinho, mas José Dias, o agregado...
          José Dias, o agregado, aquele que, com seus superlativos, buscava superlativar sua existência... E  é justamente por existirem nesse mundo mil vezes mais “joses dias” do que “capitus” que reside a eficácia do personagem – carente, solitário, fazendo de tudo para amenizar esses seus sentimentos.
          Em um enfoque sociológico, o personagem ganha importância por representar figura típica da estrutura familiar brasileira, o agregado, alguém que não sendo membro da família, a ela adere, passando a fazer parte do contexto. Um dia, quando o pai de Bentinho ainda estava vivo, José Dias bateu à porta, fingindo ser médico homeopata, e acabou ficando, encostando-se, aos poucos.
          No romance Dom Casmurro, José Dias é o que “amava os superlativos”, “ria largo, se era preciso, de um grande riso sem vontade, mas comunicativo”. “Nos lances graves, gravíssimo”, “com o tempo adquiriu certa autoridade na família, certa audiência, ao menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo”; e  “as cortesias que fizesse vinham antes do cálculo que da índole”.
Rodolfo Arenas foi José Dias em Capitu (1968), de Paulo Cesar Saraceni, roteiro de Paulo Emilio Sales Gomes e Lygia Fagundes Telles

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